Em 27 e 30 de junho de 2012, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência do Maestro José Agostinho da Fonseca Júnior, realizou concertos em Belém (Theatro da Paz) e em Santarém (Igreja do Santíssimo), com a participação do Coro Carlos Gomes e convidados, em comemoração ao centenário de nascimento de Wilson Fonseca (Maestro Isoca), promovida pelo Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura.

Foram executadas as músicas “Centenário de Santarém” – abertura sinfônica (1948); “Missa Mater Immaculata” (1951), “América 500 Anos” – poema sinfônico, com texto poético de Emir Bemerguy no 4º movimento (1992); “Canção de Minha Saudade” (1949), com letra de Wilmar Fonseca; e, ainda, “Um Poema de Amor” (1953), bolero, em número extraprograma (bis).

O concerto no Theatro da Paz foi gravado para registro em CD.

Comentários sobre as obras musicais executadas naquele histórico concerto comemorativo do centenário de nascimento do compositor Wilson Fonseca (Maestro Isoca):

  1. Centenário de Santarém (1948) – Abertura sinfônica. Orquestra

    Peça composta especialmente para a celebração do 1º centenário da elevação de Santarém (PA) à categoria de cidade, em 24.10.1948, data de sua estréia por uma pequena orquestra sob a regência do compositor.

    Obra de concerto, de um só movimento, com vários andamentos: Andante, Maestoso (com uma cadenza: canto de pássaro), Andante expressivo (melódico), Allegro, Andante religioso, Marcial, Allegro, Andante (ondas do Rio Tapajós), Allegro, Maestoso, Allegro, Presto.

    A música também foi executada, em 1972, pela Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Pará, no encerramento da Semana de Santarém, no Theatro da Paz; e, em 1997, na inauguração da temporada anual da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência do Maestro Andi Pereira, e no programa em homenagem ao transcurso do primeiro centenário de morte do Maestro Carlos Gomes, em Belém.

    Na época de sua estreia, na capital paraense, lembro-me de que a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Pará vinha sendo ensaiada pelo Maestro Nivaldo Santiago.

    Eu presenciei quando meu pai entregou a obra, em mãos, ao maestro Nivaldo Santiago, no Theatro da Paz, no gabinete do Maestro Waldemar Henrique, que também estava presente.

    Nivaldo Santiago leu rapidamente a peça e comentou haver gostado muito de certos trechos, como é o caso de uma belíssima intervenção dos violoncelos, que surgem fazendo uma das melodias mais notáveis que Wilson Fonseca compôs.

    De fato, é um trecho lindíssimo, de muita inspiração e felicidade.

    Uma revelação: papai também adorava essa melodia, um dos temas da Abertura Sinfônica. Ele gostava tanto, que a tocava, com freqüência, no piano e mesmo no órgão da Igreja Catedral de Santarém.

    Entendo que a Abertura Sinfônica – “Centenário de Santarém” (1948) é uma composição importantíssima na Obra Musical de Isoca, até porque é a primeira experiência do gênero que ele escreveu.

    O curioso é que Wilson Fonseca, conforme ele mesmo contava, começou a compor esta peça exatamente no dia de meu nascimento (seu segundo filho), quando o compositor escreveu o tema inicial da abertura. Naquela época os partos eram realizados no próprio domicílio da parturiente.

    O Maestro Isoca elaborou, além da versão para orquestra sinfônica, transcrição para piano, que foi executada, em Santarém, pelo compositor, por sua irmã Maria Annita Fonseca de Campos e por mim, em ocasiões distintas.

    Portanto, tenho boas razões para considerar a Abertura Sinfônica “Centenário de Santarém” como uma de minhas composições favoritas, dentre as centenas de músicas compostas por Wilson Fonseca.

  1. Missa Mater Immaculata (1951) – Coro e Orquestra

    Peça original para Coro e Órgão, dedicada à memória de D. Amando Bahlmann O.F.M., 1º Bispo-Prelado de Santarém-PA, e de Madre Maria Imaculada de Jesus, 1ª Superiora Geral das Irmãs Franciscanas Missionárias da Imaculada Conceição. Aprovada pela Comissão Arquidiocesana de Música Sacra (Rio de Janeiro, 1951), presidida por Frei Pedro Sinzig O.F.M., de quem Wilson Fonseca recebeu lições de composição organística e vocal, no gênero sacro, a meu ver a “quintessência de sua obra musical”. Wilson Fonseca escreveu 12 Missas, sendo 7 com texto em latim.

    A Missa compõe-se de seis partes: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei.

    Os arranjos orquestrais foram escritos por três gerações de compositores da família Fonseca: Wilson Fonseca (Benedictus); Vicente Malheiros da Fonseca, filho do compositor (Kyrie e Sanctus); e José Agostinho da Fonseca Júnior, neto do compositor (Gloria, Credo e Agnus Dei).

    O “Benedictus” desta Missa foi apresentado na “Semana de Santarém”, no Theatro da Paz, em 1972, pelo Madrigal e Orquestra da Universidade Federal do Pará, sob a regência de Luiz Oliveira Maia e Alfredo José Trindade, quando também foi executada a “Ave Maria nº 3” (Wilson Fonseca), tendo como solista a soprano paraense Marina Monarcha.

  1. América 500 Anos (1992) – Poema Sinfônico. Coro e Orquestra

    Conforme as palavras do próprio Wilson Fonseca, “a peça compõe-se de um Poema Sinfônico em quatro (4) partes, trabalho orquestral inteiramente de autoria do próprio compositor, totalmente inédito. Os desenhos melódicos e harmônicos são de tendências diatônicas com roupagem orquestral de contornos nítidos nas bases da tradição latina”.

    A partitura musical apresenta os seguintes andamentos: Andante Maestoso – Andante; Adagio; Allegretto – Andante moderato – Allegretto – Allegro vivace – Maestoso; e Allegro ma non troppo – “Marcha Triunfal”.
    O compositor descreve a viagem de Cristóvão Colombo na descoberta da América. A melodia linear e cantante, com a simplicidade do contraponto, reconhece em Colombo um homem religioso, que “lutou bravamente pelos seus ideais e realizou um feito histórico extraordinário”. A obra é composta de quatro partes. O próprio compositor Wilson Fonseca escreveu um texto interessante para narrar o conteúdo programático do poema sinfônico. A peça foi dedicada à Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz.
    É ainda o próprio compositor que aduziu as seguintes considerações sobre o conteúdo programático da obra:
    O Poema Musical tem o seu desfecho com uma espécie de Coda em forma de marcha-triunfal, alusiva à vitória alcançada pelo descobridor: um vibrante hino nos moldes clássicos de duas estrofes e um refrão com oito versos eneassilábicos em cada um. É um convite à aplicação de textos originais e distintos nos quatro principais idiomas (francês, inglês, espanhol e português) com os quais se comunicam nas suas relações os povos do Novo Mundo, se para tanto fossem motivados os bardos das Américas. Ter-se-ia, assim, um canto solene, triunfal, um hino comemorativo da grande epopéia, neste transcurso do meio século, aliás, do meio milênio da grande descoberta! Aí, então, num congraçamento de vozes em uníssono embora em línguas heterogêneas, amparadas pelo vigor de todo o peso instrumental empregado, a grande comunidade americana “levantaria seus braços ao céu em reconhecimento e agradecimento a Deus”, pela oferenda da dadivosa terra. Deu partida a esta sugestão, a pedido do compositor, destacado poeta brasileiro, com estes versos a seguir transcritos, aplicados sobre a música ao hino-triunfal que constitui a chave-de-ouro do Poema-Sinfônico.
    Vale ressaltar, entretanto, que embora constante da partitura original, a participação de vozes pode ser dispensável, sem prejuízo do efeito em sua execução apenas instrumental.

AMÉRICA 500 ANOS
(Poema Sinfônico – Coda)
Letra: Emir Bemerguy (Santarém-PA, 08.06.1992)
Música: Wilson Fonseca (Santarém-PA, 1992)

Enfrentando os perigos dos mares,
Sem temer o feroz desafio,
Um punhado de heróis produziu
Epopéia das mais singulares!
Empurrados por ventos potentes,
Dirigidos por Deus, sempre avante,
Descobriram um céu tão distante,
Com florestas, tesouros e gente!

Refrão
Novo Mundo de encantos sem par,
Fascinante, intocado, altaneiro,
Universo esperando o pioneiro
Que o viesse, afinal, desbravar!
A Cristóvão Colombo os louvores!
O gigante transpôs oceanos
E há quinhentos fantásticos anos
Encontrou um rincão de esplendores!

Do Evangelho aos clarões divinais
E à sombra da Cruz, tempo afora,
Foi a América em frente e, agora,
Ao passado não volta jamais!
Pisa firme no chão do presente,
De olhos postos no grande porvir!
Progredindo haverás de seguir!
Deus te salve, eternal Continente!

  1. Canção de minha saudade (1949). Letra: Wilmar Fonseca

    A famosa “Canção de Minha Saudade” – considerada o “hino sentimental” de Santarém – foi composta por Wilson Fonseca em 1949, com letra de seu irmão Wilmar Fonseca, para que fosse cantada por sua sobrinha Maria da Salete Fonseca de Campos numa festa de encerramento do ano escolar. Entretanto “tal não ocorreu por ter Salete adoecido, sendo a música engavetada por 9 anos, permanecendo inédita”.

    É o próprio Isoca que nos conta sobre isso:

    “1958 – No ‘Centro Recreativo’, 9 anos após ter sido composta, a mesma sobrinha Salete interpreta em primeira audição a ‘Canção de minha saudade’, música essa que imediatamente, e desde então, alcança sucesso extraordinário tornando-se popular e muito conhecida, identificando-se com todos os santarenos, haja vista que tem sido cantada em inúmeras ocasiões, como em serestas, recitais. ‘Canção de minha saudade’, além de ter sido a favorita do falecido Expedito Toscano, tenor lírico santareno, solista de invulgar expressão do ‘Coro da Catedral de Santarém’, mais tarde, em 1970, foi adotada como hino oficial do 1º Festival da Música Popular do Baixo-Amazonas, realizado em Santarém e cantada com alma e com vibração, no final de cada noite da ‘Semana de Santarém’, realizada em Belém, no ‘Teatro da Paz’, em outubro de 1972” (cf. “Meu Baú Mocorongo” – volume 6, p. 1435/1437).

    Eu estava presente no Centro Recreativo, naquele recital de 1958, pois me apresentei, tocando piano, em diversos eventos realizados naquele clube social. E lembro-me de que foi justamente o bispo Dom Tiago Ryan, sentado na primeira fila da platéia, que puxou os aplausos, com muito entusiasmo, exclamando assim: “Oh!… esta canção do Isoca é agora a minha música preferida!…”

    Em outra ocasião, eu escrevi o seguinte texto sobre a “Canção de Minha Saudade”:

    O texto poético desta canção foi escrito para uma sobrinha de Wilmar Fonseca (Salete Fonseca de Campos) declamar no colégio onde estudava, em Santarém. Por motivo de doença, a jovem não chegou a apresentá-la.
    Wilson Fonseca, então, resolveu musicar o belo poema de seu irmão, no mesmo ano em que foi escrito (1949). Porém, a música permaneceu inédita durante nove anos. A sua estréia ocorreu em 1958, num recital no Centro Recreativo, em Santarém. E a primeira audição foi feita pela própria sobrinha Salete, que havia solicitado ao poeta Wilmar Fonseca que escrevesse um texto sobre as belezas naturais da “Pérola do Tapajós”. Imediatamente a obra caiu no agrado geral.

    Durante a Semana de Santarém, o Governo do Estado Pará (gestão Fernando Guilhon) lançou dois discos compactos [“Ano do Sesquicentenário da Independência”] contendo, além de Tambatajá (Waldemar Henrique) e do Hino do Estado do Pará (letra de Artur Teódulo Santos Porto, música de Nicolino Milano, com adaptação e arranjo de José Cândido da Gama Malcher), as composições, de Wilson Fonseca – Canção de Minha Saudade (letra de Wilmar Fonseca) e o Hino de Santarém (letra de Paulo Rodrigues dos Santos) –, gravadas no Rio de Janeiro pela Orquestra Sinfônica Nacional e Coro da Rádio Ministério da Educação e Cultura (MEC), sob a regência do maestro Nelson Nilo Hack, e pela Orquestra e Coro Edison Marinho.

    [Nota: a Semana de Santarém, no Theatro da Paz (1972), consistiu em amostras de cerâmica tapajoara, artesanato, pintura, poesia, fotografias, música etc.].

    A canção foi gravada ainda diversas vezes, inclusive no CD “Wilson Fonseca – Projeto Uirapuru – O Canto da Amazônia” (volume 1), lançado em 1996, pela Secult/PA, que registra a emocionante participação da platéia no concerto realizado no Teatro Margarida Schiwazzappa (Centur), em Belém, em comemoração ao transcurso do 75º aniversário de vida musical do maestro Isoca.


    Apoteótica também a execução desta canção na Casa da Cultura de Santarém, em 17 de novembro de 2006 (data de aniversário natalício do compositor) quando foram realizados diversos eventos em Santarém, em homenagem a Wilson, como a inauguração de seu busto no Aeroporto de Santarém – Pará – “Maestro Wilson Fonseca” (Lei Federal nº 11.338, 03.08.2006 – DOU 04.08.2006); o lançamento da coletânea, de sua autoria, intitulada “MEU BAÚ MOCORONGO” (6 volumes); e o concerto da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência do Maestro Mateus Araújo, com a apresentação de composições de três gerações da família Fonseca. Ao final do concerto, a OSTP interpretou o arranjo orquestral, escrito por Vicente Fonseca, para a Canção de Minha Saudade, em número extraprograma, repetido por duas vezes, a pedido da platéia, que cantou, com entusiasmo, esta bela canção, considerada o “hino sentimental” de Santarém, numa verdadeira apoteose no encerramento do histórico evento.
    É por isso que se costuma dizer que para alguém provar que é mocorongo (santareno) nem precisa exibir a carteira de identidade ou a certidão de nascimento. Basta demonstrar que sabe cantar: “Nunca vi praias tão belas/Prateadas como aqueles/Do torrão em que nasci…”
    Quando a “Canção de Minha Saudade” completou 25 anos, em 1974, os autores da obra musical receberam a medalha “Pax Christi” do Papa Paulo VI. No Ano Santo de 1975, receberam de Roma outra medalha, conforme se lê no “Meu Baú Mocorongo” – volume 5, p. 1370. Tudo isso foi obra do grande bispo Dom Tiago Ryan.
    Outra curiosidade:
    No início de 1979, viajei para Santarém em companhia de minha esposa Neide e o nosso primogênito (Vicente Fonseca Filho), que tinha pouco mais de 1 mês de idade. Em certo domingo, depois de assistirmos a Missa das 8 horas, celebrada por Dom Tiago Ryan, conversamos com o bispo e perguntamos se ele poderia fazer o batizado da criança na Pia Batismal da Igreja de N. S. da Conceição, Catedral de Santarém. Ele me respondeu que o sacramento era ato habitualmente realizado pelos padres, e não pelo bispo. Mas em se tratando do “neto do Isoca”, ele me disse que iria fazer uma exceção. Marcamos a data e o meu filho, nascido em Belém (dezembro/1978) foi batizado por Dom Tiago, em Santarém. Uma graça de Deus!
    Eu tenho uma gravação, em fita cassete, da “Canção de Minha Saudade”, tocada, ao piano, pelo próprio compositor, em Santarém, justamente naquele ano de 1979, que registra a voz do neto de Isoca, meu filho, ainda bebê, balbuciando o “canto” dessa linda composição, na companhia do avô pianista.
    A canção, considerada o “hino sentimental” de Santarém, tem registros emocionantes.
    Foi cantada por todos os presentes (palco e platéia), com entusiasmo e vibração, numa verdadeira apoteose no encerramento do recital em homenagem a Wilson Fonseca, em agosto de 1995, no Teatro “Margarida Schivasappa” (Centur), em Belém (PA), sob os auspícios da Secretaria Estadual da Cultura (Governo do Estado do Pará), em comemoração ao transcurso do 75º aniversário de vida musical do maestro santareno Wilson Fonseca (Isoca), com a participação de diversos cantores e instrumentistas nacionais e estrangeiros, bem como de seus familiares.
    No palco, a reunião de vários intérpretes que participaram do evento: Marina Monarcha, Madalena Aliverti, Maria Lídia Mendonça, Pedro Paulo Ayres de Mattos (“Pepê”), Paulo Ivan Campos e Francisco Campos (cantores), com a participação de familiares de Wilson Fonseca e da plateia, José Wilson Malheiros da Fonseca (saxofone-alto), Vicente José Malheiros da Fonseca (piano acústico) e José Agostinho da Fonseca Neto (piano digital e regência).
    O evento foi gravado e o seu registro consta, em parte, no CD da série “Projeto Uirapuru – O Canto da Amazônia” (volume I), lançado em 1996, sob os auspícios da SECULT/PA.
    A canção também consta do CD “Encontro com Maestro Isoca” (2002), novamente cantada pelos familiares e pela platéia, com acompanhamento de pequena orquestra, violão e pianos. Uma verdadeira apoteose.
    Nesse evento a música teve arranjo, concepção e transcrição de Wilson Fonseca, Vicente José Malheiros da Fonseca, José Agostinho da Fonseca Neto e José Agostinho da Fonseca Júnior.
    É seguramente a última criação musical de Wilson Fonseca (2002), mentor de uma obra coletiva feita a oito (8) mãos, da lavra de três gerações da família do compositor, no “Encontro com Maestro Isoca”.
    No palco, os diversos intérpretes que atuaram no concerto. Canto: Andréa Pinheiro e familiares de Wilson Fonseca (Maria da Conceição Malheiros da Fonseca, Maria de Jesus Malheiros da Fonseca, Diana Santos Fonseca, Wilson Dias da Fonseca Neto, Maria da Salete Campos Belém, Maria de Lourdes Fonseca de Campos, Maria de Fátima Campos Pinho, Maria das Graças Fonseca de Campos, Maria da Conceição Campos Sampaio, Neide Teles Sirotheau da Fonseca, Vicente José Malheiros da Fonseca Filho, Adriano Teles Sirotheau da Fonseca, Lorena Teles Sirotheau da Fonseca). Piano acústico: Vicente José Malheiros da Fonseca. Piano digital: José Agostinho da Fonseca Neto. Saxofone-alto: José Wilson Malheiros da Fonseca. Violão: Sebastião Tapajós. Orquestra: Andréa Campos (1º violino), Miguel Campos (2º violino), Tânia Campos (viola), Douglas Kier (violoncelo), Yuri Guedelha (flauta), José Agostinho da Fonseca Júnior (oboé), Oleg Andreev (clarinete), David Misiuk (trompa) e Vadin Klokov (fagote). Participação da platéia.
    No dia 17 de novembro de 2006 (aniversário natalício do compositor), durante a solenidade de lançamento da coletânea “MEU BAÚ MOCORONGO” (Wilson Fonseca), editada pelo Governo do Estado do Pará foi executada a “Canção de Minha Saudade”, pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência do maestro Mateus Araújo, na Casa da Cultura de Santarém, onde se realizou um concerto inédito da OSTP, que tocou composições de três gerações da família Fonseca, no Projeto “A Orquestra nos Municípios”.
    A orquestra, que pela primeira vez se apresentava na “Pérola do Tapajós”, no Projeto “A Orquestra nos Municípios”, executou o arranjo orquestral, elaborado por mim, para a imortal “Canção de Minha Saudade”, composta por Wilson Fonseca, com letra de Wilmar Fonseca (1915-1984), em número extraprograma, repetido por duas vezes, a pedido da platéia, que cantou, com entusiasmo, esta bela e memorável canção, autêntica apoteose no encerramento do histórico evento.
    A Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz voltou a executar a canção, com o mesmo arranjo orquestral escrito por mim, na comemoração dos 350 anos da cidade (junho de 2011), com participação do Coro Jovem Maestro Wilson Fonseca, da cantora Cristina Caetano e da plateia.
    Em 27 e 30 de junho de 2012, a bela canção também constou do programa musical da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e Coro da Fundação Carlos Gomes, agora sob a regência e arranjo orquestral da lavra de José Agostinho da Fonseca Júnior (neto do compositor e regente adjunto da OSTP), nos concertos em comemoração ao centenário de nascimento de Wilson Fonseca (maestro Isoca), promovidos pelo Governo do Estado do Estado do Pará (Secult), no Theatro da Paz, em Belém-PA, e na Igreja do Santíssimo, em Santarém-PA.

    No programa musical de 2012: “Centenário de Santarém” (Abertura Sinfônica), “América 500 Anos” (Poema Sinfônico), “Missa Mater Immaculata” e “Canção de Minha Saudade”, além de “Um Poema de Amor” (peça executada como bis).

    Mais uma vez, a atuação de três gerações da família do compositor, em arranjos orquestrais da Missa “Mater Immaculata”, “Um Poema de Amor” e “Canção de Minha Saudade”, fato inédito ou muito raro na história universal da música.

    Em breve, será lançado um CD com registro desse concerto comemorativo do centenário do músico santareno, que também é homenageado como Patrono da XVI Feira Pan-Amazônica do Livro, que se realiza em Belém, em setembro de 2012, quando ocorre o pré-lançamento deste livro sobre “A Vida e a Obra de Wilson Fonseca (Maestro Isoca”), de minha autoria, além de um Seminário e um Sarau promovido pela Academia Paraense de Música em homenagem a Wilson Fonseca.

    É por isso mesmo que se costuma dizer que para alguém provar que é “mocorongo” (apelido de quem nasce em Santarém-PA) nem precisa exibir a carteira de identidade ou a certidão de nascimento. Basta demonstrar que sabe cantar esta bela canção:

CANÇÃO DE MINHA SAUDADE
(Canção)
Letra: Wilmar Fonseca
Música: Wilson Fonseca (1949)

Nunca vi praias tão belas
Prateadas como aquelas
Do torrão em que nasci!
Da CAIEIRA, do LAGUINHO
(MAPIRI é um carinho)
Onde canta a Juruti.
Nunca vi praia tão boa
Como aquela da COROA
Bem pertinho do SALÉ…
De SÃO MARCOS, tão branquinha
(A candura da PRAINHA)
VERA-PAZ… MARIA JOSÉ!

Bem juntinho àquela serra
Que domina a minha terra,
Tem um pé de sapoti
Onde entoa, sem mentira,
Alegrando CAMBUQUIRA
O seu canto o Bem-te-vi.
Quem me dera em suas águas
Sufocar as minhas mágoas
A beira do Igarapé!
E depois no IRURÁ
(Ó meu Deus, quando será?)
Reviver a minha fé.

Mergulhei já no AMAZONAS
(Não me digas: tu blasonas)
P’ra no TAPAJÓS boiar…
Há encanto em teus jardins
Vicejando benjamins
Que prateiam ao luar.
Tens Maria por padroeira
Essa Mãe tão brasileira,
SANTARÉM DA CONCEIÇÃO .
Se relembro teus recantos,
Ó Jesus lá vêm meus prantos,
Vou cantando esta canção!

  1. Um Poema de Amor (1953) – Bolero.

    O bolero “Um Poema de Amor” foi concebido na porta da casa de Wilson Fonseca, em Santarém (PA).

    A música foi composta, por Wilson Fonseca, no ano de 1953 e dedicada a meu irmão José Agostinho da Fonseca Neto (maestro Tinho).

    Num fim de tarde, o quinto filho do compositor, José Agostinho da Fonseca Neto (Tinho), recém-nascido, estava chorando incessantemente. O compositor, então, afastou-se da criança e a deixou aos cuidados de sua esposa.

    Foi até a porta da casa e ficou mirando o pôr-do-sol. Nesse exato momento veio a inspiração, letra e música, de uma só vez. Wilson Fonseca, nessa ocasião, dirigiu-se à sua mesa de trabalho e anotou a música e a letra.

    Do choro do bebê e da vista do ocaso surgiu a composição do bolero, como que para acalentar o choro do filho e homenagear o arrebol, fenômeno que já inspirara Wilson Fonseca na composição do noturno “Santarém, Pôr-de-sol”, escrito para Piano, em 1951, e, posteriormente, transcrito para Duo de Violino e Piano.

    Assim nasceu uma das mais conhecidas músicas de Wilson Fonseca.

    Todos dizem que é muito bonito o pôr-do-sol em Santarém, cidade localizada à foz do rio Tapajós (afluente do rio Amazonas), considerado “o mais lindo rio do mundo”, por cientistas e turistas.

    O bolero “Um Poema de Amor” foi gravado por diversos intérpretes. Na discografia do Maestro, catalogada por seu filho Vicente Fonseca, constam mais de 20 gravações, desde a primeira, em 1970, pelo cantor Odilson Matos e o Conjunto “Os Hippies”, de Santarém (PA), ainda na época do vinil.

    Uma das execuções mais emocionantes da música foi durante o recital “Encontro com Maestro Isoca”, em janeiro de 2002, no Art Doce Hall, em Belém, na presença do próprio compositor, quando “Um Poema de Amor” foi interpretado pela irmã de Wilson Fonseca, Maria Annita Fonseca de Campos (com 90 anos), acompanhada por suas netas Andréa Campos (violino) e Tânia Campos (viola), além de Douglas Kier (violoncelo). Há um CD que registra o evento.

    Outro momento comovente foi assim narrado por mim, em outra ocasião:

    “Meu saudoso pai adorava as crianças.
    Falecido em Belém e sepultado em Santarém, onde recebeu homenagens do povo, seu esquife foi conduzido pelo Corpo de Bombeiros, em comovente cortejo fúnebre, desde o aeroporto até a Catedral, ao som de suas composições. O evento lembra das homenagens ao Presidente Tancredo Neves e ao piloto Ayrton Senna.
    Recordo-me da emoção com que as crianças cantaram, a cappella, o bolero ‘Um Poema de Amor’, precisamente no momento em que o féretro passava bem em frente à Escola de Música ‘Wilson Fonseca’, em Santarém, ali permanecendo por quase meia hora. Os jovens, todos uniformizados, encontravam-se do lado de fora da escola, na rua, próximos à calçada, e, ali mesmo, começaram a cantar esta música, de modo muito espontâneo (quase de surpresa, sem que ninguém esperasse). E o interessante é que eles não queriam mais terminar de cantar. A música, então, foi cantada umas doze vezes, mais ou menos. As pessoas começaram a perceber que muitas crianças choravam copiosamente durante o canto. As lágrimas dessas crianças a todos comoviam. Foi um dos momentos mais emocionantes de minha vida. Nunca vi coisa igual.”

    Wilson Fonseca e eu escrevemos vários arranjos para esta composição, muitos deles ainda inéditos.

    A peça foi apresentada, em 22 de junho de 2011, pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência do maestro Miguel Campos Neto, no concerto realizado na Casa da Cultura em Santarém (PA), em comemoração aos 350 anos de fundação da “Pérola do Tapajós”. A 2ª parte do programa foi dedicada a Wilson Fonseca: “Centenário de Santarém” (Abertura Sinfônica), “Hino de Santarém” (letra: Paulo Rodrigues dos Santos), “Samaritana”, “Um Poema de Amor” e “Canção de Minha Saudade” (letra: Wilmar Fonseca), com arranjos orquestrais por mim elaborados e participações do Coral Jovem “Maestro Wilson Fonseca” e da cantora Cristina Caetano.

    O arranjo que elaborei para Trio de Oboé, Fagote e Piano foi executado na última solenidade de posse de novos acadêmicos (inclusive meus irmãos José Wilson e José Agostinho) na Academia Paraense de Música, em 15.05.2012, tendo por intérpretes José Agostinho da Fonseca Júnior (oboé), Paulo Porto (fagote) e José Agostinho da Fonseca Neto (piano).

    O bolero “Um Poema de Amor” voltou a ser tocado, como número extra (bis), em 27 e 30 de junho de 2012, nos concertos da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e Coral da Fundação Carlos Gomes, sob a regência do maestro José Agostinho da Fonseca Júnior, realizados em Belém-PA (Theatro da Paz) e em Santarém-PA (Igreja do Santíssimo), em comemoração ao centenário de nascimento de Wilson Fonseca, eventos promovidos pelo Governo do Estado do Pará (Secretaria de Estado de Cultura). O programa musical foi gravado para registro em CD, sob os auspícios do Governo do Estado do Pará (SECULT) e contém exclusivamente obras de Wilson Fonseca, algumas com arranjos de Vicente Fonseca e Agostinho Júnior, filho e neto do compositor santareno.

    Uma curiosidade: no concerto de 27 de junho de 2012, no Theatro da Paz, a música foi executada sem qualquer prévio ensaio, fato praticamente inusitado na história da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e do Coro da Fundação Carlos Gomes. É verdade que quase todos os integrantes da Orquestra e do Coro já conheciam a peça. Mas não houve tempo de ensaiar para este evento. De fato, eu enviei as partituras do arranjo orquestral, que havia elaborado, ao maestro José Agostinho da Fonseca Júnior, meu sobrinho, apenas na tarde do próprio dia do concerto. Os aplausos da plateia, no Theatro da Paz, foram tão calorosos, com repetidos pedidos de bis, que até eu mesmo me surpreendi com a brilhante execução de “Um Poema de Amor” ao final do concerto.

    Quando o maestro anunciou o nome da música que seria executada, o público delirou. É que ele havia determinado, estrategicamente, que as partituras dessa tão apreciada composição fossem colocadas nas estantes dos músicos, para execução em caso de eventual bis. Nem todos os integrantes da orquestra, entretanto, tinham conhecimento do fato. Contou-me o jovem maestro que ele chegou a comentar, rapidamente, sobre a música reservada para o bis, com a maestrina Maria Antonia Jimenez Rodriguez, líder do Coro e responsável pelos ensaios das vozes, apenas quando ingressavam no palco no início do concerto. Estava, portanto, garantido o bis, com “Um Poema de Amor”, apresentado quase de surpresa, autêntica chave-de-ouro na homenagem ao centenário de Wilson Fonseca. Bravo!

    Eis um dos mais belos legados que o estro do poeta-cantor escreveu – uma história de amor, tal como a ‘grandeza do mar, o esplendor do luar e a beleza da flor’. Ou simplesmente, “uma linda canção, nascida do coração”!

UM POEMA DE AMOR
(Bolero)
Letra e Música de Wilson Fonseca
(Santarém-PA, 1953)

“… e quando a noite desceu
o poeta escreveu
sua história de amor.
Tinha a grandeza do mar,
o esplendor do luar
e a beleza da flor.

Era o romance
uma linda canção
nascida do coração.
Hoje, o poeta-cantor
Nada mais tem senão
UM POEMA DE AMOR…”
(Um Poema de Amor, de Amor…)


Em 1970, eu compus outro bolero, intitulado de “O Poeta-Cantor”. Em 2010, elaborei uma nova letra para essa música.

Trata-se de uma espécie de continuação do bolero “Um Poema de Amor”, de autoria de meu pai Wilson Fonseca (Maestro Isoca). A peça foi dedicada justamente a ele – grande mestre – autor de “Um Poema de Amor”, na qual a composição foi inspirada… Homenagem a meu genitor, cujo centenário de nascimento ocorre neste ano de 2012.

(Trechos transcritos do livro “A Vida e a Obra de Wilson Fonseca – Maestro Isoca”, homenagem ao centenário de nascimento do compositor, de autoria de seu filho Vicente José Malheiros da Fonseca, impresso na Gráfica do Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 2012)

[1] Vicente José Malheiros da Fonseca é Desembargador do Trabalho de carreira, Decano e ex-Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (Belém-PA). Professor Emérito da Universidade da Amazônia (UNAMA). Compositor. Membro da Associação dos Magistrados Brasileiros, da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 8ª Região, da Academia Brasileira de Direito do Trabalho, da Academia Paraense de Música, da Academia de Letras e Artes de Santarém, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, da Academia Luminescência Brasileira, da Academia de Música do Brasil e da Academia de Musicologia do Brasil. Membro Honorário do Instituto dos Advogados do Pará. Conselheiro Perpétuo da Academia de Música do Rio e Janeiro.

Categorias: Blog