WILSON DIAS DA FONSECA (Maestro Isoca) nasceu em Santarém-PA (17.11.1912) e faleceu em Belém-PA (24.03.2002).

Era casado com Rosilda Malheiros da Fonseca, sua musa inspiradora, falecida em 2009. O casal teve seis filhos, quase todos dedicados à música: José Wilson, Vicente José, Maria das Dores, Maria da Conceição, José Agostinho e Maria de Jesus.

Musicista talentoso, com reconhecimento no Brasil e no exterior, é herdeiro de uma tradição musical que começou com seu pai José Agostinho da Fonseca (1886-1945), com quem iniciou seus estudos em 1920, e chegou à geração atual.

A valsa Beatrice é a sua primeira composição (1931), criada para sonorizar uma cena do filme O Beijo (com Greta Garbo), na época do cinema mudo, cuja sincronia era feita por Isoca, em sua terra natal.

Em 1958 a sua composição Ecce Sacerdos Magnus (Coro 4 vozes mistas e Órgão) foi cantada na Catedral de Chicago (USA), na solenidade de sagração episcopal de D. Tiago Ryan, Bispo-Prelado de Santarém.

Ele é a alma da Pérola do Tapajós, orgulho da cultura amazônica e da história da música brasileira, pelo singular exemplo de compositor praticamente autodidata, além de poeta, pianista, saxofonista e professor.

Escreveu o livro Meu Baú Mocorongo (coletânea de 6 volumes), impresso por RR Donnelley Moore (SP) e editado pelo Governo do Estado do Pará (2006), com quase 2.000 páginas de pesquisas, recordações e reflexões sobre a vida histórica e sócio-cultural de Santarém e da Amazônia.

Foi Membro da Academia Paraense de Música (cadeira nº 24, que tem como patrono seu pai e atual ocupante Vicente Malheiros da Fonseca, seu filho) e da Academia Paraense de Letras (cadeira nº 7).

Trabalhou no Banco do Brasil durante 31 anos e foi o primeiro funcionário, aprovado em 1º lugar, em concurso público, da primeira agência do interior do Pará, onde laborou no período de 1941 a 1972, quando se aposentou.

Nunca aceitou ser removido de Santarém, não obstante as ofertas de promoções na carreira profissional. Ao Banco do Brasil, Isoca dedicou a música BB-130 – Dobrado nº 35 (1990).

Sua obra musical, do popular ao erudito, contém 20 volumes (4 publicados), com mais de 1.600 produções (canto, piano, banda, coral, conjuntos de câmara, sacras e orquestrais). O catálogo de sua obra musical está assim organizado: Coral (I); Sacra (II); Valsas, Modinhas, Toadas, Tangos e Canções (III); Orquestra, Trio e Duetos (IV); Músicas para Banda (V a VIII); Sambas, Marchas, Foxs e Boleros (IX); Diversos-A (X a XIII), Poema Sinfônico – América 500 Anos, de 1992 (XIV), Ópera Amazônica – Vitória-Régia, O Amor Cabano, de 1996 (XV), Diversos-B (XVI a XX). Merecem ainda destaque a abertura sinfônica Centenário de Santarém (1948), 46 Dobrados para Banda, 23 Cantatas, 12 Missas, a série de 9 Choros-estudos, 5 Ave-Marias, 2 Noturnos, 1 Sonatina, Amazônia (suíte para jazz-band, 1996), Tapajós Azul (valsa, para orquestra sinfônica, 1997) e As Pastorinhas (peça de teatro popular, revista em 1997). Suas composições musicais mais conhecidas: Hino de Santarém (letra de Paulo Rodrigues dos Santos), Pérola do Tapajós (parceria musical com Pedro Santos e letra de Felisbelo Sussuarana), Canção de Minha Saudade (letra de Wilmar Fonseca), Terra Querida, Lenda do Boto, Um Poema de Amor, Hino da Festa de N. S. da Conceição (letra de Emir Bemerguy).

Alguns CDs gravados com músicas suas, dentre outros: Projeto Uirapuru – O Canto da Amazônia; Encontro com Maestro Isoca; e Sinfonia Amazônica (Orquestra Jovem Maestro Wilson Fonseca, dirigida por seu filho Agostinho Neto, 2 volumes).

Compus inúmeros arranjos e elaborei alguns textos poéticos para músicas de autoria de meu pai. Ele também escreveu arranjos e transcrições para obras musicais de minha lavra. Somos parceiros desde os memoráveis recitais quando tocamos peças para Piano a 4 mãos, na década de 50 do século XX.

“Alheio a modismos ou escolas, tenho dito que Wilson Fonseca (Isoca) jamais se afastou das autênticas raízes nacionais, daí porque a sua música, impregnada de sadio regionalismo, guarda a essência e as características da alma brasileira e, ao mesmo tempo, possui uma dimensão universal, mesmo quando aborda as manifestações folclóricas, a cadência sincopada do maxixe ou o ritmo inconfundível do choro. Nela se observa uma nítida identificação com a herança transmitida por seus grandes mestres (Bach, Ernesto Nazareth e José Agostinho da Fonseca). Do primeiro, extraiu a estrutura fundamental, aperfeiçoada pela singular formação epistolar, com a proveitosa troca de correspondências com mestres da escola germânica (Frei Pedro Sinzig, Frei Alberto Kruse, o Tomás Samaí, e Dr. Heinrich Lemacher), o que lhe valeu um convite para estagiar na Alemanha, que não pôde atender. Do segundo, retirou a experiência da cultura de nosso povo, nas manifestações folclóricas, na cadência sincopada do maxixe ou no ritmo inconfundível do choro. E do terceiro, recebeu o tempero necessário do sabor santareno, elemento telúrico e determinante em todas as formas que se expressou na arte dos sons” (“Tributo ao Maestro Wilson Fonseca”, artigo que escrevi: Revista Brasiliana nº 11, Academia Brasileira de Música, Rio de Janeiro, maio/2002).

O ano de 2012 foi repleto de homenagens ao centenário de nascimento do compositor e escritor Wilson Fonseca, desde a escolha de seu nome como patrono da XVI Feira Pan-Amazônica do Livro, realizada pelo Governo do Estado do Pará, até o lançamento de meu livro com o tema de sua vida e obra, lançado em Santarém, em 17 de novembro, justamente na data de seu natalício, no Centro Recreativo, e depois em Belém, no Tribunal Regional do Trabalho, durante a cerimônia de minha posse no Instituto Histórico e Geográfico do Pará, em 14 de dezembro, quando fui saudado pelo advogado e parceiro musical Célio Simões, autor da letra do hino do IHGP, com música de minha autoria.

Em meus discursos de posse no Instituto e na Academia Nacional de Direito do Trabalho (para a qual também compus um hino), prestei homenagem ao maestro centenário. Por coincidência, no IHGP ocupo a Cadeira patrocinada por Domingos Rayol (Barão de Guajará), que é patrono da Cadeira que foi ocupada por meu pai na Academia Paraense de Letras.

Em junho, os extraordinários concertos da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, em Belém e em Santarém, sob a regência de José Agostinho da Fonseca Júnior, neto de Isoca, com a participação do Coro Carlos Gomes, promovidos pelo Governo do Estado do Pará, com peças do compositor tapajônico, gravado para registro em CD, em comemoração ao seu centenário de nascimento. Alguns arranjos orquestrais para os concertos da OSTP, em Belém e Santarém, foram escritos por três gerações da família Fonseca: Wilson Fonseca Vicente Malheiros da Fonseca, filho do compositor, e José Agostinho da Fonseca Júnior, neto do compositor.

Em setembro, a outorga da Comenda da Ordem do Mérito Jus et Labor, in memoriam, conferida pelo TRT-8ª Região. Em novembro, a edição da Lei Municipal nº 19.132/2012, que denomina Rua Wilson Fonseca, em Santarém.

Vale registrar a homenagem musical prestada pelos filhos: Valsa ao Centenário de Wilson Fonseca (Conceição Fonseca), Quarteto 2012, Trio 2012 e Dobrado Maestro Isoca (Vicente Fonseca). Enfim, inúmeros eventos em Santarém, sob o eficiente comando de José Agostinho da Fonseca Neto.

O livro sobre “A Vida e Obra de Wilson Fonseca (Maestro Isoca)” constitui uma autêntica missão de vida. Uma homenagem filial. A realização de um sonho, de um ideal. Fruto de um sábio e precioso conselho de meu tio Wilmar, autor da letra da bela Canção de Minha Saudade (1949), que tem música de Isoca, na época em que morei em São Paulo, a fim de estudar no Conservatório Musical José Maurício, na década de 60 do século XX. Eis o conselho: “Vicente, o teu pai é um gênio! E tu precisas divulgar melhor sua obra musical”. Foi ali, à distância, que aprendi a apreciar, ainda mais, a figura de meu pai, como homem e como artista. Desde então, ainda muito jovem, adotei esse conselho como missão de vida.

A obra é a síntese das pesquisas que venho realizando há muitos anos a respeito de meu pai, análise de suas composições musicais, discografia, bibliografia, influências, suas parcerias, inclusive com os filhos, fotos etc. Foi impresso na Editora do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.

O livro foi lançado na XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, promovida pelo Governo do Estado do Pará, em 1º de maio de 2013, no Hangar Convenções & Feiras da Amazônia, na Sessão de Autógrafo (Ponto do Autor), em Belém (PA).

Boa parte da profícua produção musical de Wilson Fonseca – o “Barroco do século XX”, conforme Vicente Salles – permanece inédita e aguarda ainda pela descoberta dos estudiosos e da grande mídia nacional.

Nascido e criado no interior da Amazônia, a obra musical do compositor santareno revela influências do meio em que viveu, mas se projeta para muito além.

Embora Wilson Fonseca, “o alimentador da vida cultural de Santarém”, conforme o Prefácio de Lenora Menezes de Brito, seja mais conhecido pelo Hino de Santarém, Canção de Minha Saudade, Terra Querida, Lenda do Boto e Um Poema de Amor, tenho a convicção de que existe um “outro” Isoca, menos conhecido do grande público, autor de peças de câmara e orquestrais, inclusive as suas maravilhosas músicas sacras, a meu ver a quintessência de sua produção musical, onde ele alcançou o ápice em sua carreira como compositor talentoso.

O livro – a primeira biografia do Maestro Isoca, segundo assinala Gilberto Chaves, na Breve Introdução – permite que se conheça um pouco mais sobre a vida e a obra do autor de belas canções, hinos, dobrados e do livro “Meu Baú Mocorongo” editado no mesmo ano da Lei Federal nº 11.338/2006, que denominou o Aeroporto de Santarém – “Maestro Wilson Fonseca”.

Destaque ainda merecem a Lei Estadual nº 7.337/2009, que declara integrante do patrimônio cultural do Estado do Pará a sua obra musical e literária; e a Lei Municipal nº 19.132/2012, que denomina Rua Wilson Fonseca, em Santarém. No Rio de Janeiro existe também a “Rua Wilson Fonseca” (Decreto nº 27.126/2006).

A família pretende instituir um Memorial na casa onde residiu o compositor.

A vida e a obra de Wilson Fonseca justificam mais do que um livro, um filme ou um documentário. É um belo exemplo de dignidade, fé, esperança e amor. O livro, um sonho que se realiza. Mais uma forma de gratidão pelo tanto que o Maestro Isoca nos proporciona com seus exemplos de vida e de arte. Um homem simples e sábio. Um gênio!

Wilson Fonseca (Maestro Isoca) é o uirapuru-mor da Pérola do Tapajós, onde fica a paradisíaca praia de Alter do Chão, fonte de inspiração do escritor, músico e poeta, um dos mais importantes compositores da Amazônia.

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