No livro “A vida e obra de Wilson Fonseca (Maestro Isoca)”, Editora do Banco do Brasil, de minha autoria, lançado neste ano, há um Capítulo em que falo sobre a música “Vila Paraíso” (schottisch, 1912-1914), composta por meu avô José Agostinho da Fonseca, para a qual escrevi um arranjo de Duo para Flauta e Piano.

O nome dessa música tem um significado histórico para a nossa família, pois foi ali que nasceu Wilson Fonseca, meu saudoso pai.

A Vila Paraíso foi construída pelo Coronel Antônio Joaquim de Vasconcelos Braga, considerada, àquela época (1912), a principal mansão de Santarém, em prédio localizado na antiga Rua Floriano Peixoto nº 506 (antigo nº 34), esquina com a Travessa 15 de Agosto, infelizmente destruído.

O Coronel Braga era casado com D. Zulmira de Souza Braga, prima e mãe adotiva de minha avó Aninhas (que se tornou órfã de pai e mãe, muito criança ainda), esposa de meu avô José Agostinho, autor daquela música. Conheci D. Zulmira, já velhinha, no Rio de Janeiro. Eles eram pais de Américo Braga (cientista), Graziela (Nené) e Maria Elsa (90 anos, residente em Niterói), para quem meu avô compôs a Valsa “Elsa” (1917). É desse ramo que se originam nossos primos Sílvio Augusto e Cléo Bernardo de Macambira Braga.

Vejam o que escreveu Isoca no Meu Baú Mocorongo (2º vol., p. 413):

“Confidencio, de passagem, que devoto uma grande afeição por essa vivenda, que era denominada ‘Vila Paraíso’. Razões íntimas me levam a esse sentimento: é que nela mamãe viveu os floridos anos de sua juventude, amou papai e com ele ali se casou. E mais: nela eu nasci!”

Na mesma obra (Capítulo Villa Paraizo, 4º Vol., p. 1007), Isoca registra:

Qual será o destino a ser dado à ‘Villa Paraizo’ pelo seu novo adquirente? Temo pela não preservação, pois nesta data (3 de setembro de 1990), o seu poético e tradicional pavilhão de esquina acaba de receber golpes da impiedosa picareta, desaparecendo, para sempre, da paisagem tão familiar aos olhos dos santarenenses. Ao deparar-me com os escombros e o espaço vazio, devo confessá-lo: chorei!… E assim vão destruindo o pouco que ainda resta da arquitetura que nos legaram os nossos antepassados!

No Capítulo “Ruas Seculares em Revista”, Isoca escreve:

“Implantada a República, homenageou-se um de seus primeiros Presidentes. Marechal Floriano Peixoto foi o novo nome da antiga “Rua Santa Cruz” (Meu Baú…, 4º vol., p. 962).

Agora, a Lei Municipal nº 19.132, de 28 de novembro de 2012, denomina Rua Wilson Dias da Fonseca (Maestro Isoca), em Santarém, justamente o logradouro (antes Rua Floriano Peixoto) onde nasceu e morou desde criança o compositor santareno, cujo centenário de nascimento se comemora neste ano.

No Rio de Janeiro já existe uma rua com o nome do Maestro Isoca (Decreto nº 27.126, de 09.10.2006).

Conforme a justificativa do Projeto de Lei nº 233/2012, de autoria da Vereadora Marcela Tolentino de Matos (PDT), instruído com ampla Consulta Popular aos moradores da rua, “é dever do Poder Público e da sociedade homenagear as pessoas que se destacaram em suas atividades, para exemplo das gerações atuais e futuras. Portanto, é mais do que justa e adequada a proposta que visa denominar de Rua Wilson Fonseca (Maestro Isoca) a atual Rua Floriano Peixoto, nesta cidade de Santarém, em homenagem a um de seus mais ilustres filhos, personalidade que tanto se destacou no campo da arte musical e da literatura”.

O resgate da memória santarena é motivo de orgulho para todos os que cultivam a história da “Pérola do Tapajós”. O Maestro Isoca, que tanto contribuiu para a arte e a cultura de nossa terra, já não precisa mais chorar, mas cantar, com emoção: “Minha terra tão querida, meu encanto, minha vida, Santarém do meu amor…”.

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